Pesca na Amazônia - Missão Pesca
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Missão Pesca - Agência de Viagens | Eduardo Lacerda

Pesca na Amazônia: 10 dicas para escolher sua aventura

planta vitória regia da pesca na Amazônia

Foto 1 – Vitória Régia

Qual a melhor época para fazer uma pesca na Amazônia? Onde pescar? Que peixes vou encontrar? O que é melhor, barco-hotel ou pousada? Dá para organizar uma viagem sozinho? É perigoso pescar na Amazônia? São muitas perguntas que surgem quanto planejamos uma pesca na maior floresta tropical do planeta.

E a proposta deste post, é reunir os principais elementos para que você decida qual a melhor maneira de você fazer uma pescaria no Amazonas, onde temos abundância de peixes e de aventura.

Depois de 28 viagens para a Amazônia em quase 10 anos de trabalho como repórter pelo programa Terra da Gente, quero compartilhar com você elementos importantes do que aprendi sobre a pescaria naquela região.

Mas sempre surge um conhecimento novo. Afinal, estamos falando da maior bacia hidrográfica do planeta. Inclusive, este pode ser o nosso início de nossa conversa: os números curiosos que representam os rios amazônicos.

pacotes de pesca de tucunaré-açu da pesca na Amazônia

Foto 2 – Tucunaré Açu

bacia amazônica região de pesca na Amazônia

Foto 3 – Bacia Amazônica (Wikipedia)

1 - A grandiosidade da bacia Amazônica

Se a Amazônia fosse um país, ela seria o oitavo maior do mundo. De acordo com números do ministério do Meio Ambiente, a Bacia Amazônica cobre cerca de 6 milhões de km² e tem 1100 afluentes que abastecem o Rio Amazonas.

Ele recebe água de 8 países diferentes: além do Brasil, fazem parte da bacia amazônica, Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Guyana e Suriname.

A nascente mais distante fica no Cordilheira dos Andes, no Peru. Essas águas cortam o continente sul-americano de oeste a leste por 6.400 quilômetros até alcançar o Atlântico.

Ao desaguar no oceano, o rio despeja cerca de 175 milhões de litros d’água a cada segundo.

Para termos uma ideia do que isso significa, em menos de duas horas o Amazonas encheria todo o Sistema Cantareira, que abastece a grande São Paulo e tem capacidade para 1,2 trilhão de litros.

floresta amazônica lugar de pesca na Amazônia

Foto 4 – Floresta Amazônica

canal de cassiquiare lugar de pesca na Amazônia

Foto 5 – Canal de Cassiquiare

Curiosidade

Uma bacia tão grande acaba gerando surpresas. Já ouviu falar no Canal de Cassiquiare?

Esta raríssima formação une duas bacias hidrográficas distintas. O canal liga a bacia do Orinoco, que corre para o Mar Caribe, à bacia Amazônica, que vai para o Atlântico.

Para entender como isso é especial, numa navegação, é possível entrar pela foz do Amazonas, seguir para o Rio Negro, entrar no Canal de Cassiquiare, chegar ao rio Orinoco e finalmente sair em direção ao Caribe.

2 - Que peixes vou encontrar?

Chega de geografia? Então vamos para a pesca! Mas de que peixe? O portfólio é bem generoso.

Os cientistas ainda não sabem qual o número total de espécies que existem na Amazônia. Novos peixes são catalogados pela ciência o tempo todo e estima-se que o número total fique entre mil e quinhentos a seis mil espécies.

O número mais aceito e divulgado é de 3 mil espécies de peixes na bacia Amazônica. Este número é dez vezes maior que do Pantanal, por exemplo.

Todas as espécies são importantes para a natureza, mas apenas uma parte tem interesse econômico. Algumas espécies são exploradas para o aquarismo, outras para comércio e consumo humano e ainda uma parte é de alto interesse para a pesca esportiva.

peixe pirarara fisgado no rio negro em pesca na Amazônia
Foto 6 – Piraíba filhote no Rio Negro
peixe cachorrra larga fisgado da pesca na Amazônia

Foto 7 – Cachorra Larga

Peixes esportivos amazônicos

As principais espécies que encantam o turista numa pescaria na Amazônia são os diversos tipos de tucunaré, a pirarara e a piraíba. Mas existem vinte ou trinta outros peixes que motivam o pescador esportivo. É o caso do trairão, pirarucu, matrinxã, tambaqui, jaú, cachorra, caparari e jundiá. A presença das espécies vai depender da região onde estamos pescando.

Mas até quantos peixes esportivos podem ser encontrados num único lugar? Catorze espécies diferentes, eu garanto. E digo isso porque já capturei esta quantidade pessoalmente numa única pescaria de quatro dias, no sul do Pará. Aqui vai a lista: tucunaré-fogo, caparari, cachara, trairão, poraquê, bicuda, matrinxã, arraia, jacundá, cachorra-larga, corvina, jaú, piranha e pirara.

Bom, essas são as que eu consigo lembrar, já que a viagem foi em 2012. Me recordo que na época consegui contar vinte, mas aí já começa a virar história de pescador. (rsrsrsr) Então, vamos nos limitar apenas às que eu realmente consigo me lembrar.

O sul da Amazônia é realmente um local especial na abundância de espécies. O rio Aripuanã, por exemplo, é apresentado pela Pousada Piraaçu como o local com maior diversidade de peixes esportivos do planeta.

A lista apresentada pela pousada inclui vinte e quatro espécies diferentes que variam conforme a época do ano. Algumas delas são raras com a dourada e a dourada zebra.

peixe dourada zebra fisgado da pesca na Amazônia

Foto 8 – Dourada Zebra – Foto: Pousada Piraaçu

3 - Onde fazer a pesca na Amazônia?

Na prática, é possível pescar em qualquer região da imensa floresta. Basta que não haja restrições como áreas de proteção ambiental ou áreas indígenas, por exemplo.

Mas quando falamos de turismo de pesca esportiva, a história é outra. É essencial ter uma estrutura bem montada para que você faça sua viagem e se preocupe apenas em pescar. Essas operações são complexas e é importante que sejam feitas por profissionais.

Quer ter uma assessoria completa com quem tem experiência de sobra? Clique aqui e vamos conversar! 😊

E veja quais são os locais onde é mais fácil encontrar boas operações.

Estado do Amazonas

Rio Negro

Esta região pode ser apontada como o mais importante polo de pesca esportiva do Brasil.

Cada vez mais gente do mundo todo vem em busca da pescaria de tucunaré na Amazônia, em especial do tucunaré-açu (Cichla temensis). Além disso, a região apresenta boa variedade de peixes e tem excelentes oportunidades para a captura de pirararas e piraíbas.

O rio Negro é dividido entre três municípios.

município barcelos capital da pesca na Amazônia

Foto 9 – Barcelos

Barcelos: o município tem uma grande quantidade de rios que podem ser explorados pelos barcos-hotéis. De acordo com o gerente de relacionamento do Barco Hotel Kalua, Otávio Chaves, a área de busca pelos peixes no município, é de 40mil quilômetros quadrados, o equivalente à área da Suíça. Numa semana de pesca, o barco-hotel pode percorrer até 800 quilômetros. Além do Negro, há pelo menos outros seis rios que podem ser explorados em Barcelos.

pesca na Amazônia no município santa isabel do rio negro

Foto 10 – Santa Isabel do Rio Negro

Santa Isabel do Rio Negro: na região de Santa Isabel também há boas operações de pesca de grandes peixes na Amazônia. Lá existem muitos relatos de tucunarés de bom tamanho. Inclusive, o atual recorde mundial de tucunaré-açu foi homologado lá, um peixe de 13,19 kg. Os administradores do Barco Hotel Kallua II, que tem exclusividade do rio Jurubaxi, em Santa Isabel, afirmam que essa é uma área onde a quantidade de ataques é menor que em Barcelos, mas o tamanho dos peixes é maior.

pesca na Amazônia no município são gabriel da cachoeira

Foto 11 – São Gabriel da Cachoeira

São Gabriel da Cachoeira: no momento em que escrevo este texto, apenas uma operação de pesca esportiva trabalha em São Gabriel. Ela explora um dos rios mais cobiçados pelos pescadores na Amazônia, o rio Marié. Este é um rio muito preservado, onde você vive uma experiência única a bordo de um dos mais luxuosos e confortáveis barcos de toda a Amazônia. Se seu objetivo é conseguir seu recorde pessoal de tucunaré-açu, este é um destino altamente recomendado. No Marié também há a possibilidade de fisgar boas piraíbas.

pirarucu fisgado no rio juma em pesca na Amazônia

Foto 12 – Pirarucu no rio Juma – Foto: Ricardo Biasoli

Regiões próximas a Manaus também rendem uma boa pesca na Amazônia e, o melhor, com preços mais acessíveis. Pela proximidade com a capital, essa região tem maior quantidade de pescadores, porém com boa produtividade.

Rio Juma

No município de Autazes, perto de Manaus, o rio Juma é um dos locais mais queridos pelos pescadores. A estrutura é oferecida basicamente por pousadas. Uma das mais bem estruturadas é a Pousada Sol do Amanhã. Além da facilidade de acesso, o Juma chama a atenção pela quantidade e tamanho dos tucunarés-açu. O porte é compatível com o Rio Negro.

pousada sol do amanhã estadia para pesca na Amazônia

Foto 13 – Pousada Sol do Amanhã

peixe piraiba fisgado da pesca na Amazônia

Foto 14 – Piraíba – Foto: Pousada Piraaçu

Ainda nas regiões próximas a Manaus, outros locais com o tucunaré-açu são o rio Urubu, rio Preto da Eva e Uatumã. A represa de Balbina tem boas pousadas com valores muito atraentes, porém lá não existe o tucunaré-açu.

No sul do estado do Amazonas, há poucas, mas boas operações de pesca, como é o caso do rio Aripuanã, onde funcionada a Pousada Piraaçu, ou então o rio Roosevelt e rio Sucunduri.

Mato Grosso

Outra região amazônica com boa estruturada de pesca fica no extremo sul deste enorme território. Ela pode ser acessada por Alta Floresta, no Mato Grosso. Este município também é um polo importante de pesca na Amazônia.

Saindo de Alta Floresta, por via terrestre ou com pequenos aviões, o pescador pode ir para vários rios.

pousada juruena estadia para pesca na Amazônia

Foto 15 – Pousada Juruena

Rio Juruena: ele é dividido basicamente em duas partes. Acima e abaixo do Salto Augusto.

Na parte abaixo do salto é possível capturar vinte espécies diferentes, mas os principais peixes são Tucunaré, Piraíba, Pirara e Jaú.

Na parte superior, muda tudo. O principal peixe é disparado o trairão que pode chegar a tamanhos incríveis, com exemplares até de 20 kg. Tucunarés, cachorras e jaús estão entre a grande variedade de peixes do local. Umas das melhores operações de pesca nesta área é a Pousada Juruena.

Recentemente, uma mudança na legislação trouxe mais possibilidades para este rio. A pesca dentro do Parque Nacional do Juruena está permitida desde do início de 2020.

jau fisgado no rio teles pires em pesca na Amazônia

Foto 16 – Jaú do rio Teles Pires

Rio Teles Pires: esse rio passou por severas modificações nos últimos anos. O curso que era encachoeirado, hoje abriga várias hidrelétricas. Apesar de haver menos corredeiras, ainda é possível capturar grandes jaús, piraíbas, pirararas e cachorras. Dependendo da época, os tambaquis também fazem sucesso nesta região.

rio são benedito lugar de pesca na Amazônia

Foto 17 – Afluente do rio São Benedito

Rio Azul e Rio São benedito: esses rios formam a primeira reserva de pesca esportiva do Brasil. Eles ficam no sul do Pará, mas o acesso por Alta Floresta – MT. O Azul e o São Benedito se destacam pela beleza de suas águas, que ficam cristalinas nas épocas mais secas. Na ponta da linha, jaús, pacus, tucunarés e trairões são os principais. Nesta região, as pousadas estão bem preparadas também para a observação de aves e turismo ecológico.

O acesso exige paciência. Algumas pousadas são bem isoladas e a chegada já é uma aventura.

E para finalizar os principais locais de pescaria, cito aqui dois rios que, tecnicamente não estão na bacia amazônica, mas que compartilham os mesmos peixes:

Tocantins/Araguaia: especialmente o Araguaia abriga as grandes piraíbas. Equipamentos pesados e guias especializados são importantes para que o pescador realize o sonho de fisgar uma dessas. Mas atenção, dizem que a piraíba é que escolhe o pescador. Então, vá com fé e tenham muita paciência. A hora da fisgada compensa toda a espera. E, mesmo que ela não te presenteie, aproveite cada fisgada. Já que o rio é muito bom de pirararas também.

Rio Trombetas: esse rio, no norte do Pará, é muito especial. Ele abriga um peixe único: o tucunaré-porteiro (Cichla thyrorus). Essa espécie vive em meio às pedras, ataca em corredeiras e é considerado uma das mais fortes entre as 16 espécies de tucunaré que existem. Trairões, piraras e piraíbas também estão neste rio, prontos para atacar as iscas do pescador.

Rio Xingu: mesmo com recente construção da Usina de Belo Monte, os grandes bagres continuam presentes no Xingu. Surubins, pirarara, piraíba e jaú. E ainda os reis da isca artificial: o tucunaré, bicuda, cachorra e trairão. No trecho mato-grossense do rio Xingu temos a chance de pescar dentro do Parque Indigina do Xingu. Uma experiência incrível onde dormimos em ocas e pescamos em lagos onde nem mesmo os índios locais costumam frequentar.

Pará

peixe tucunaré porteiro fisgado em pesca na Amazônia

Foto 18 – Tucunaré-porteiro

parque indígena do xingu lugar de pesca na Amazônia

Foto 19 – Parque Indígena do Xingu

Curiosidade

A piraíba e o filhote são a mesma espécie (Brachyplatystoma filamentosum). Mas como esse é um peixe que cresce muito, e pode facilmente passar dos 100 quilos, exemplares de até 20 ou 30 quilos ainda são chamados de filhotes. Não há um tamanho exato em que as pessoas passam a chamá-lo de piraíba. Dizem que em alguns lugares, só acima de sessenta quilos é que os pescadores dão essa “promoção” ao peixe.
Há ainda boas operações espalhadas por muitas outras regiões, como no estado de Rondônia, no Rio Guaporé; em Roraima, no rio Itapará.  As operações são boas, mas não chegam a formar polos de pesca esportiva.

4 - Qual a melhor época para pesca na Amazônia?

Em qualquer época vai existir algum lugar com boa pesca na Amazônia. Neste território de mais de 6 milhões de quilômetros quadrados, cada região tem seus próprios regimes de chuva e suas épocas mais produtivas para a pesca.

Para se ter uma ideia, as nascentes que estão mais ao norte, como a do rio Aracá, fica a 1,5 mil quilômetros das que estão mais ao sul, como a nascente do Juruena. Essas distâncias interferem muito no período de pesca de cada rio. Vamos aqui separar por regiões e indicar de maneira geral as épocas de pesca.

Norte do Amazonas (Rio Negro, Rio Água Boa – RR) – setembro a março

Sul do Amazonas (Rio Sucunduri e Abacaxis) – julho a novembro

Rios Próximos a Manaus (Rio Juma, Rio Urubu e Rio Uatumã) – setembro a janeiro

Leste do Pará    (Rio Xingu no trecho Paraense) – março a outubro

(Rio Xingu  trecho do Mato Grossense) – abril a novembro

Rio Araguaia – março a Outubro

piranha preta encontrada na pesca na Amazônia

Foto 20 – Piranha-preta

Foto 18 – Temporadas de pesca na Amazônia

Em alguns rios, é possível pescar o ano todo, com peixes diferentes em cada época. Normalmente é bom evitar o pico da cheia. Mas nesses lugares, de maneira geral, é possível ter resultado satisfatório mesmo nesse período.

Norte do Pará (Rio Trombetas) – ano todo.

  • Vazante/Seca – outubro a janeiro
  • Enchente/Cheia – fevereiro a setembro

Sul da Amazônia (Aripuanã, Juruena, Teles Pires) – ano todo

  • Vazante/seca – julho a outubro
  • Enchente/cheia – novembro a junho

Rondônia  (Rio Guaporé) – abril a outubro

 

Atenção: essas são indicações gerais. Antes de marcar sua viagem consulte para saber detalhes da temporada de pesca no destino escolhido

5 - Barco hotel ou pousada, o que é melhor?

Cada tipo de acomodação para pesca na Amazônia tem suas vantagens. E aí, qual devo escolher?

Barco Hotel tem o dinamismo como a vantagem principal. A cada dia estamos em um local diferente.

No rio Negro, os barcos com o serviço de hotelaria podem percorrer até 800 km em uma semana na busca pelos peixes. É possível que durante a viagem o pescador explore locais diferentes todos os dias, sem repetir nenhum pesqueiro.

E nas pousadas, a maior vantagem é o conforto. Os quartos são grandes, não há escadas internas, não há barulho alto de gerador e, em muitas delas, há até piscina.

barco hotel kalua para pesca na Amazônia

Foto 19 – Barco-hotel Kalua II

quarto pousada juruena para pesca na Amazônia

Foto 20 – Quarto Pousada Juruena

Outra questão importante é a internet, que ainda é uma exclusividade das pousadas. A velocidade de conexão não costuma ser boa, mas é possível pelo menos trocar mensagens.

É importante observar que rios menores ou encachoeirados não possuem barcos hotéis. Mas, onde existem os dois tipos de operação, a escolha é realmente pessoal.

6 - Quanto custa pescar na Amazônia?

O custo da pescaria na Amazônia varia muito. Para uma semana de pesca, os valores vão de R$ 3,5mil a R$30mil!!!

Os custos são influenciados, em primeiro lugar, pelo tipo de estrutura e pela qualidade do serviço. Algumas operações são da categoria luxo, cobradas em dólares americanos.

Mas, mesmo para estabelecimentos com estrutura básica, manter a operação bem-feita no meio da floresta não é barato.

A distância é um complicador. Tudo que será levado para as pousadas ou barcos precisa de planejamento com antecedência. O transporte para levar qualquer coisa em alguns lugares, como no rio Itapará, chega a levar uma semana de barco. Ou então deve ser feito de avião.

É necessário ter estrutura para que tudo seja resolvido no local. Por exemplo, todo o serviço de manutenção da pousada ou dos barcos deve ser autônomo. Não dá para chamar alguém da cidade cada vez que alguma coisa para de funcionar.

Quase tudo precisa ter um item de reserva, desde o fogão até os motores das voadeiras.

barco hotel de luxo para pesca na Amazônia

Foto 21 – Interior de barco-hotel de Luxo – Foto: Cleber Ferreira

motores de barco hotel para pesca na Amazônia

Foto 22 – Motores de Barco-hotel

Outro item que eleva os custos é o combustível. Independentemente de ser um barco ou pousada, a energia elétrica é produzida com geradores ligados praticamente 24h.

E, nos barcos-hotéis, vai bastante combustível para a locomoção. Na região de Barcelos, chega-se a consumir 1,5mil litros de diesel em uma semana de pesca. E uma única voadeira, pode utilizar 150 litros de gasolina.

Se aqui a gasolina e o diesel já são caros, imagine lá no meio da floresta.

E veja que interessante. Todo barco hotel bem estruturado na Amazônia, é seguido o tempo todo por um barco de apoio. É uma embarcação grande onde ficam os dormitórios da tripulação, os mantimentos, o combustível e o gelo para uma semana de trabalho.

Nos barcos-hotéis, existe ainda a manutenção naval que eleva o custo da operação.

Pacote All Inclusive

Na Amazônia, a maior parte das pousadas e barcos-hotéis oferecer o pacote com tudo incluso. O pescador tem pensão completa, bebida à vontade (cerveja, água, refrigerante), serviço de hotelaria, voadeiras com motor de popa e motor elétrico, gasolina e guia de pesca. Há detalhes que mudam de uma operação para outra.

Áreas exclusivas

Muitos dos pacotes com valores mais altos incluem o acesso a rios exclusivos. Isso significa que só a sua embarcação estará pescando naquela área. Um exemplo é o barco-hotel Kallua II. Este é um barco feito para atender 5 duplas de pescadores por vez. E ele tem a exclusividade de operação no rio Jurubaxi, em Santa Isabel do Rio Negro. São 270 quilômetros de rio explorados por apenas 5 voadeiras por semana. Assim, os pontos de pesca estão sempre descansados.

pesca na Amazônia no rio jurubaxi

Foto 23 – Pesca no rio Jurubaxi

pesca na Amazônia no rio juma

Foto 24 – Pesca na Pousada Sol do Amanhã – Rio Juma

Pacotes mais acessíveis

Um fator que contribui muito para conseguir preços competitivos é a proximidade de Manaus. As pousadas que estão em rios como o Juma, Urubu e Uatumã, conseguem reduzir os custos de operação se compararmos com um barco-hotel ou pousadas distantes.

 Existe, por exemplo, facilidade para transportar mão de obra e mantimentos até o estabelecimento.

Pousadas também precisam de menos combustível e não tem manutenção naval. O barco de apoio também é desnecessário. Dessa forma, perto de Manaus, bons serviços podem ser encontrados por R$4mil aproximadamente.

É claro que os valores acessíveis aumentam o movimento de pescadores. Mas ainda assim esses rios oferecem uma pescaria excelente. O Juma, por exemplo, tem o tucunaré-açu com o mesmo porte que é encontrado no rio Negro, e em grande quantidade.

Pescar perto da capital do Amazonas também evita alguns gastos que estão explicados no próximo item.

Gastos extras

Ao pescar em áreas distantes de Manaus, o pescador precisa chegar um dia antes à capital, dormir em um hotel e, no dia seguinte, deve embarcar em um avião pequeno rumo à floresta.

Na maioria das vezes esse voo e o hotel de Manaus não estão inclusos no pacote. O avião pode custar aproximadamente R$1,5 mil e o hotel, cerca de R$200. Então, pergunte se isso está incluso. Essa é uma questão importante para fazer o orçamento e escolher seu destino.

Barco-hotel barato demais...

Um alerta: Fique atento a preços muito baixos em barcos-hotéis. Uma das maneiras mais comuns do operador economizar é diminuir o gasto de combustível.

Se isso acontecer, o pescador perde a maior vantagem de um barco-hotel, que é a possibilidade de navegar para os locais com maior chance de sucesso na pesca.

7 - A PESCARIA NA AMAZÔNIA É 100% PESQUE-E-SOLTE?

Digamos que seja 99%. Os únicos peixes que a gente não devolve ao rio são os consumidos quando fazemos o almoço na floresta.

Os turistas não abatem peixes nem mesmo para abastecer a cozinha do barco. Isso é tarefa da tripulação. Dessa forma existe a garantia que o abate aconteça apenas na quantidade necessária e de acordo com as necessidades do cardápio.

Turistas também não levam peixe para casa. Diferentemente do que acontece em outras regiões do Brasil, na Amazônia você vai perceber que as operações de pesca não têm freezers para o pescador guardar seus peixes.

E, mesmo que você encontre um jeito de manter seu peixe resfriado, a logística da operação não é adequada para trazer o pescado. Nos pequenos aviões que nos levam para a floresta, o limite de bagagem é de aproximadamente 15 quilos por passageiro. Essa quantidade é suficiente apenas para o material de pesca e a mala de roupas.

E aqui vai uma observação interessante. Num voo pequeno, não existe cobrança por excesso de bagagem. Os aviões têm um limite de carga que deve ser obedecido para que a decolagem aconteça.

soltando peixe fisgado da pesca na Amazônia

Foto 25 – Pesque-e-solte

barcos de pesca na Amazônia

Foto 26 – Economia sustentável

Pesca no Amazonas e a economia sustentável

Outro ponto importante do pesque-e-solte é que, cada vez mais, a população amazônica percebe os benefícios dessa prática. O guia de pesca sabe que o turista só vai para lá se tiver a esperança de tirar um peixe grande. Então, eles mesmos estimulam a devolução.

Pesque-e-solte significa mais dinheiro para a comunidade. Para escrever este post, consegui dados interessantes da Amazonastur. São números que revelam a importância do turismo de pesca na calha do rio Negro.

O valor médio do pacote de pesca esportiva nesta região é de 8 mil reais. Por temporada, 8,4 mil pescadores vão até lá em busca dos peixes esportivos. Isso resulta em um faturamento de R$67,2 milhões por ano somente na calha do rio Negro.

Esse dinheiro movimenta a economia das cidades e garante emprego para milhares de pessoas direta ou indiretamente. Barcelos possui 27 mil habitantes e 50 empreendimentos hoteleiros que ficam lotados seis meses por ano.

Isso gera empregos diretos para piloteiros, capitães, camareiras, mecânicos, cozinheiras e garçons. E, na cidade, movimentam mercados, postos de combustível, serviços de manutenção, construção de barcos e uma infinidade de outros negócios mesmo fora da temporada.

É difícil imaginar outra atividade que geraria um volume tão grande de empregos de maneira sustentável no meio da floresta. Sem a pesca esportiva, essas pessoas seriam facilmente seduzidas por atividades como a pesca comercial ou a exploração florestal.

8 - DÁ PRA ORGANIZAR UMA PESCARIA NA AMAZÔNIA SEM BARCO HOTEL OU POUSADA?

Sim, você mesmo pode armar o esquema para sua pescaria na Amazônia. Ela pode ser bem econômica. Mas, tenha em mente que esta não será exatamente uma viagem de relaxamento e passeio. Você estará assumindo todas as responsabilidades que as operações de pesca se especializaram em fazer.

Para dar a você uma visão exata desta situação, conversei com um pescador que já realizou várias viagens assim na região de Barcelos, o amigo Ricardo Fucuhara.

ricardo fucuhara pescador de pesca na Amazônia

Foto 27 – Fucuhara realizou viagens autônomas

Ele afirma que “Essa é uma viagem para quem se importa apenas com a pesca, não há nenhuma facilidade ou conforto que temos em um barco-hotel”

Em primeiro lugar, devemos conhecer previamente um bom guia de pesca ou ter excelentes referências. Não dá para arriscar numa contratação à distância. E, durante os dias de pesca, haverá trabalho para todos. Não é nada absurdo, mas exige muito espírito de aventura e cooperação.

Ao chegar na cidade onde vamos ficar, é preciso sair para comprar mantimentos, bebidas, e tudo que vamos precisar na pescaria.

Na floresta, existe divisão de tarefas no preparo do almoço. Ao voltar cansado do dia de pesca, devemos passar em um supermercado para repor o que for necessário.

O café da manhã precisa ser mais cedo que numa operação de pesca. O motivo de sair mais cedo é que, antes de pescar, os pescadores ainda vão abastecer os barcos com combustível e gelo. Enfim, o pescador vai gastar menos, mas não ficará focado apenas na pesca.

Esquema fora da temporada

Normalmente essa pescaria autônoma vai acontecer fora da temporada, quando os piloteiros já não tem mais tanto trabalho nos barcos-hotéis e pousadas. Mesmo assim, há uma vantagem: podemos aguardar a data perfeita. Quando o piloteiro avisar que está bom de peixe, você vai. Mas para usar esta vantagem, você precisa ter controle total do seu tempo. Afinal, será preciso interromper sua rotina no momento que “os peixes” te chamarem.

Lembre-se da segurança

Mesmo pescando nos arredores de alguma cidade amazônica, lembre-se que você estará na maior floresta tropical do planeta. É muito importante ter um esquema de segurança bem planejado caso tenha algum imprevisto durante a pescaria.

navegação em igarapes da pesca na Amazônia

Foto 28 – Navegação em igarapés

Quanto custa organizar a pesca sozinho

De qualquer forma, o investimento não será desprezível. A partir do momento em que você deixar Manaus, rumo à floresta, os custos ficaram em aproximadamente 4mil reais, 40% a menos em relação aos pacotes mais em conta de Barcelos.

Isso é muito bom, mas lembre-se que você pode pagar esse mesmo valor e fisgar o tucunaré-açu no rio Juma, por exemplo, com toda a comodidade de uma operação profissional de pesca.

Como em tudo na vida, organizar a viagem sozinho tem suas vantagens e desvantagens. Se este é seu estilo, tenha cuidado e vá com fé!

9 - É SEGURO PESCAR NA AMAZÔNIA?

Sim, a pesca na Amazônia é segura. E como este é um item extremamente importante, vamos ver vários deles em detalhes.

No imaginário popular, a floresta é cheia de onças, cobras, jacarés e outros animais que podem nos atacar. Mas na realidade, encontrar animais durante as expedições de pesca é uma raridade. Para ser mais claro, se você visualizar algum, pode se considerar uma pessoa de sorte.

A chance de termos problemas com grandes animais, é insignificante.

Onças na Amazônia

As onças estão acostumadas a caçar os animais da floresta. Nós somos grandes, estranhos, barulhentos e o grande felino não sabe exatamente qual a estratégia para caçar as pessoas. O resultado é que as onças vão se afastar e buscar o alimento ao qual estão habituadas.

onça pintada encontrada na pesca na Amazônia

Foto 29 – Onça-pintada

Jacarés

Jacarés também são arredios. Mesmo o jacaré-açu, que chega a ter 6 metros de comprimento, se afasta quando a gente chega de barco. Ele só representa perigo se a pessoa nadar no local onde ele está. Mas os guias de pesca sempre avisam quando existe jacaré-açu na área.

Mas nunca tente alimentar qualquer animal. Eles podem se aproximar e isso pode ocasionar acidentes.

Cobras

O encontro com cobras também é muito raro, principalmente por que estamos embarcados a maior parte do tempo. É muito difícil que uma cobra consiga entrar tanto na voadeira quando no barco-hotel. Em dez anos de Amazônia não conheci um único caso de acidente com este tipo de animal.

Um dos poucos momentos de risco é quanto enroscamos a isca em um galho e tentamos tirar. Alguma serpente pode estar escondida na vegetação. Nessa hora, o ideal é pedir ajuda ao guia de pesca. Na maior parte das vezes, eles recuperam a isca com movimentos na linha, sem se aproximar da árvore.

arraia encontrada do rio são benedito na pesca na Amazônia

Foto 30 – Arraia no Rio São Benedito

Arraias

Um dos poucos animais que realmente metem medo nos moradores locais são as arraias. Caso alguém pise sobre uma delas na água, ela pode ferroar a pessoa. E isso é muito dolorido.

Para evitar problemas, basta ficar fora da água. E, caso precise entrar, há uma orientação unânime entre os guias e ribeirinhos: ande arrastando os pés. Ao ser tocada pela lateral, a arraia vai fugir sem ferroar.

Doenças tropicais

A malária ou a febre amarela, também são motivos de preocupação para alguns pescadores.

Para a febre amarela a solução é simples, tome a vacina. Já a malária, exige cuidados individuais. Ela pode ser evitada usando repelentes e cobrindo o corpo. É indicado o uso de manga longa, calça comprida, buff – que é um tipo de bala clava, etc.

De acordo com o pesquisador, Marcelo Urbano Ferreira, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, os locais mais críticos de transmissão são os assentamentos rurais. Mas os pescadores não frequentam esses locais.

Durante a viagem de pesca, ficamos no meio da floresta virgem, onde o risco de transmissão é muito baixo. Ou então permanecemos nas cidades, onde o problema costuma ser ainda menor.

E vale observar que, mais uma vez, em dez anos frequentando a Amazônia, não conheci nenhum pescador que tenha contraído malária.

Um detalhe muito interessante: rios de água preta, como o rio Negro, não tem mosquitos. A acidez da água á muito alta para que eles se proliferem.

peixe bicuda da pesca na Amazônia

Foto 31 – Bicuda

Abelhas

Um dos únicos problemas que tive na Amazônia foi com a presença de abelhas em alguns lugares. Às vezes, passamos por áreas em que elas vêm em busca do sal que eliminamos no suor. As abelhas pousam em nós e aí a gente precisa ficar bem quieto. Se você não apertar a abelha, ela logo vai embora. Mas, se houver muitas, é comum sofrer alguma picada.

navegação na chuva na pesca na Amazônia

Foto 32 – Navegação na Chuva

O perigo de se perder

Outra questão que pode gerar preocupação é o perigo de se perder na imensidão dos rios e ilhas. Ou então ter problemas mecânicos com a voadeira em lugares muito isolados.

Para evitar problemas assim, os barcos e pousadas já tem estratégias. Muitas operações de pesca têm rádios instalados nas voadeiras, isso resolve tudo.

Mas, com ou sem rádios, todos os guias de pesca sempre avisam para onde vão. Caso alguém não retorne nos horários combinados, os outros guias fazem uma operação de busca na região onde ele foi pescar.

Cuidados Básicos

No mais, mantenha cuidados básicos. Hidrate-se, use colete salva-vidas, protetor solar, bonés e óculos de sol.

Além de evitar a luz e excesso, as lentes são uma é uma proteção necessária para evitar problemas com anzóis e garateias na região dos olhos.

E só entre na água em locais onde seu guia de pesca autorizar.

na água com peixe da pesca na Amazônia

Foto 33 – Na água com o peixe.

avião para viagem da pesca na Amazônia

Foto 34 – Faça seguro viagem

Seguro viagem

Como em qualquer viagem, é importante fazer um seguro. Mas informe sua seguradora que a viagem terá atividade de pesca o tempo todo.

O seguro que eu utilizo é o Brasil Aventura, da Porto Seguro. Ele cobre atividades de aventura, como a pesca, e tem valor acessível.

10 – PESCARIA NO AMAZONAS É GARANTIA DE BONS PEIXES?

Quando o assunto é peixe, temos que considerar que estamos lidando com a natureza.

Recorde-se de todas as suas pescarias. Provavelmente, mesmo num lago artificial, recheado de peixes, há dias em que eles não se importam com sua isca.

Na natureza é o mesmo. Costumo dizer que não há nenhum rio infalível no planeta Terra. Se alguém conhecer… compartilhe com a gente!!

Mesmo no auge da temporada, haverá dias de maior ou menor fartura.

Porém, alguns rios são mais estáveis. Um rio de pesca bastante segura é o Juruena, no norte do Mato Grosso. Ele não é um rio de peixes gigantes, mas ele sempre vai lhe garantir muita ação com bons exemplares. A melhor operação neste rio é da Pousada Juruena.

O rio Xingu, também é conhecido por ter um rendimento constante durante a temporada.

pesca na Amazônia no rio itapara

Foto 35 – Pescaria do rio Itapará

rio da pesca na Amazônia

Foto 36 – Água invade a floresta

Repiquete

No Rio Negro, há um fenômeno que pode exigir mais determinação e trabalho do pescador: é o famoso repiquete. Esse é o nome dado às cheias repentinas causadas por chuvas intensas durante a época de seca.

O simples fato de o nível da água começar a subir, faz os peixes mudarem o comportamento. Especialmente os tucunarés deixam de atacar com tanta voracidade.

Até hoje, nunca ouvi uma explicação perfeita de porque os peixes param. O fato é que a pescaria fica mais difícil. Nesta hora, estar em um bom barco-hotel faz toda a diferença, pois podemos navegar para áreas onde o nível do rio esteja adequado para a pescaria de tucunaré na Amazônia.

Imagine o repiquete como uma onda lenta, de pouca altura, mas muito extensa. Agora veja as estratégias que podem ser usadas para contornar o problema.

Se esta “onda” está chegando, podemos descer o rio por muitos quilômetros e pescar em regiões onde ela ainda não está atuando. Se já chegou e está intensa, podemos sair do rio Negro e buscar afluentes que tenham bons níveis de água.

E se o repiquete está no final, o barco-hotel pode navegar rio acima e alcançar áreas onde os efeitos já passaram.

Concluindo, dá trabalho escapar do repiquete, mas os bons barcos costumam encontrar uma saída para garantir a sua pescaria de tucunaré na Amazônia.

Sua melhor história de pesca

Lembre-se que pescaria é muito mais do que fisgar seu melhor peixe.

Amizade, aventura, relaxamento, descontração, tudo isso faz parte da sua experiência amazônica. Com esse espírito, tenha certeza que sua pescaria vai ser fantástica!

Comece sua exploração agora! Visite os destinos Amazônicos oferecidos pela Missão Pesca e transforme este sonho em realidade!

 

Eduardo Lacerda

Sócio Proprietário – Missão Pesca

pacotes de pesca de tucunaré-açu da pesca na Amazônia

Foto 37 – Tucunaré-açu

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