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Pesca de tucunaré açu num paraíso de luxo

Pesca de tucunaré açu num paraíso de luxo

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Cercado por arranha-céus e construções de luxo, a pesca de tucunaré açu é uma realidade em Singapura.  E lá tem peixe grande. Alguns exemplares têm mais de 80 centímetros, um troféu raro até para a pesca na Amazônia.

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O Tucunaré em um Cenário de Ostentação!

Singapura é uma cidade estado que se tornou um dos centros econômicos mais importantes do planeta. Neste lugar, no outro lado do mundo, nosso venerado tucunaré-açu (Cichla temensis) pode ser encontrado até mesmo ao lado de uma das construções mais impressionantes que existem, o Marina Bay Sands. O complexo inclui um casino que, na inauguração, foi avaliado como o mais caro do mundo – U$6,88 bilhões

Singapura
Antes de lançar as iscas para tucunaré, atenção… tem que saber onde pescar. Fazer um arremesso nas águas que ficam em frente ao cassino pode render uma multa de dois a três mil dólares!!

Pesca de tucunaré: entrevista internacional

Para saber os detalhes sobre a pesca do tucunaré açu lá em Singapura, eu fiz uma entrevista internacional com um pescador que se dedica a fisgar o tucunaré lá do outro lado do planeta. Imma Rasheed pesca apenas por prazer, e estuda tudo sobre o tucunaré. Ele já fisgou peixes com mais de 80 centímetros no meio da cidade.  A entrevista completa você pode ver no nosso canal no Youtube.

Tucunaré-açu, um peixe exigente

O peixe que é encontrado neste ambiente tão requintado lá em Singapura é exigente mesmo. Dificilmente o tucunaré-açu se reproduz fora de seu ambiente original. Naturalmente, o Cichla temensis existe na bacia do Rio Negro; também em rios da margem esquerda do Madeira, como o rio Juma; e em mais alguns rios que ficam perto de Manaus, como o Rio Preto da Eva e Uatumã.

Essa espécie precisa de águas ácidas – com pH próximo de 5 –  e quentes; com pelo menos 25°C.  Se o ambiente não estiver exatamente como ele precisa, ele não se adapta.

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Introdução do Tucunaré-açu

Para ter uma ideia do grau de exigência deste peixe, o tucunaré-açu não existe em nenhum outro lugar do Brasil fora de seu ambiente original. Apesar de outras espécies de tucunaré terem sido levadas para várias regiões do nosso país, o maior de todos, o gigante tucunaré açu não vingou em nenhum lugar. Nem mesmo em outros rios amazônicos ele se reproduz.

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Tucunaré açu em Singapura

Mas lá do outro lado do mundo, há 18 mil quilômetros de seus rios originais, o tucunaré açu encontrou condições perfeitas para se desenvolver.

Imma Rasheed diz que não há uma história oficial da introdução do tucunaré em Singapura, mas o que se fala é que nos anos 80 havia muitas fazendas de tilápia por lá, e então os piscicultores decidiram levar o tucunaré popoca, Cichla monoculus, para criação comercial. Mas houve uma grande enchente e os peixes escaparam.

Já com o tucunaré açu, a história foi diferente. O que se conta é que pescadores ingleses soltaram o Cichla temensis propositalmente para realizarem a pesca deste peixe bastante esportivo.

A adaptação foi perfeita porque o clima, a vegetação e o tipo da água de lá são muito parecidos com o que existe na Amazônia.

Singapura fica no hemisfério norte, um pouquinho acima da na linha do Equador.

Mas os rios de lá não são grandes como os daqui. Singapura fica numa ilha com 40km de comprimento. No meio dela existem florestas bem conservadas e os rios correm para o mar.

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Tucunarés circulam por toda a ilha

Imma Rasheed explica que existem muitos lagos naturais e, também, reservatórios artificiais em Singapura. E quase todos eles são ligados por canais, que também conectam aos rios. Dessa forma, os tucunarés circulam por quase todos os lugares na ilha.

Áreas de pesca restritas

Não são apenas as condições ambientais e a facilidade de deslocamento do peixe que contribuem para que ele o tucunaré-açu se desenvolva bem por lá.  Regras rígidas e a prática do pesque e solte também contribuem .

Rasheed explica que as áreas de pesca são raras. “Não é permitido pescar embarcado, não é permitido pescar da praia e, nos rios, as áreas permitidas são bem pequenas”, afirma.

Pra quem desobedece, e pesca onde não pode, a multa é de até 3 mil dólares – o suficiente para comprar no mínimo dois pacotes de pesca com tudo incluso na Amazônia.

Pesca Esportiva de Tucunaré açu

Além disso, o a pesca esportiva é um sucesso entre as novas gerações. A paixão dos pescadores de Singapura é fisgar o peixe usando as mais novas tecnologias de pesca do Japão e Estados Unidos.

E o tucunaré acaba tendo um respeito especial. Nosso pescador, Imma Rasheed, conta que gosta de comer peixe, mas nunca provou nem um pedacinho de tucunaré.  “Esse peixe é muito bonito”, diz.  “Não uso  o tucunaré na culinária por que ele é muito bonito.”

O Tucunaré açu está presente até no Leito Marinho!!

Imma conta que alguns dos maiores tucunarés de Singapura estão na Baía da Marina, onde fica o cassino. Antigamente esse local tinha água do mar, mas a baía foi fechada com uma barragem para proteger a cidade contra enchentes e contra a força das marés. Assim,  o reservatório passou a ser abastecido com a água dos rios. Aos poucos, os peixes de mar foram desaparecendo e os tucunarés foram surgindo.

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Onde o tucunaré se esconde?

Tucunaré açu gosta de galhos para se esconder. Mas em Singapura, o cenário não tem nada disso. Nas fotografias de Imma Rasheed, vemos que ele faz a pesca de tucunaré em canais artificiais. A laterais são concretadas e não vemos locais para esconderijo.

Imma diz que os tucunarés se escondem atrás dos pilares das pontes, em buracos nas laterais, em um pouco de entulho que existe no rio e, em alguns casos, em galhos que se estendem pela água dos rios.

E, nas florestas centrais, o ambiente é muito parecido com o da Amazônia, mas lá é proibido pescar.

 

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Pesca de tucunaré à noite

Uma das fotos mais impressionantes de Imma no Instagram é com um tucunaré açu de mais de 80 centímetros à noite. O interessante é que os tucunarés são ciclídeos, que não costumam ter atividade noturna. Então, como ele conseguiu fisgar este peixe no escuro.

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A pesca de tucunaré em área urbana permitiu que Imma observasse muito bem os peixes e percebesse uma oportunidade.

Na época em que os pais cuidam dos filhotes ele viu que sempre ao final do dia, o casal voltava para o mesmo esconderijo. Então ele decidiu esperar para a hora da família “chegar em casa” arremessou em direção aos peixes. O arremesso foi certeiro. A foto está no Insta pra todo mundo ver.

Imma chega a dizer que é mais fácil pegar o tucunaré neste horário porque ele não enxerga a linha de pesca.

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Um tucunaré fisgado seis vezes

Nestas tentativas de pegar os peixes no início da noite, Imma teve a sorte de fisgar o mesmo peixe em seis pescarias diferentes. “Eu sei que é o mesmo peixe por que ele tem três listras de um lado e quatro do outro. É um peixe muito especial.”

Isso também nos ajuda a reforçar uma velha questão, a importância do pesque e solte. O peixe solto tem sempre grandes chances de sobreviver e continuar seu ciclo de vida.

Mas Imma faz uma observação importante. Ele sempre mantem o peixe fora da água o mínimo tempo possível. Apenas o suficiente para tirar uma fotografia e logo depois o peixe já volta para a água.

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Um ambiente completamente modificado

A introdução de espécie que não são nativas em um local,  é sempre um problema. Elas entram em competição com os animais locais e podem até mesmo provocar extinções entre as espécies nativas.

Em Singapura, o que encontramos é um ambiente completamente alterado. Segundo Imma Rasheed, a maior parte dos peixes nativos do local não existem mais. Eles foram substituídos por espécies exóticas. E há outras mudanças ainda mais radicais. O rio Kallang e os reservatórios onde Imma pesca, por exemplo, tinham água salgada e salobra. Mas com a construção da barragem na Baía da Marina, os rios e reservatórios ficaram completamente cheios com água doce que vem das florestas centrais.

“É um ambiente novo, são peixes novos. Então, por que não dar uma chance para o tucunaré” diz Imma.

Pirarucu em Singapura

Além do tucunaré açu – Cichla temensis, em Singapura é possível encontrar também o Cichla monoculus, conhecido aqui como tucunaré popoca, e o Cichla intermedia, tucunaré royal. Todos são naturais da bacia amazônica.

Lá, exite também também o snakehead –  cabeça de cobra – que é original da Ásia e Africa.

E agora, Imma Rasheed diz que já há relatos da presença de mais um grande peixe amazônico, o pirarucu – Arapaima gigas. Inclusive, dizem que um deles já foi capturado na área urbana. Então, provavelmente a pesca do tucunaré não vai ser o único tema de nossas conversas com com Imma aqui no Missão Pesca. Em breve, quem sabe ele volta para nos contar a experiência de fisgar um desses gigantes amazônicos lá do outro lato do planeta.

 

Eduardo Lacerda

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